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Perfil do formando

A diversidade e a complexidade dos campos de atuação dos profissionais de saúde exigem um novo delineamento para o âmbito específico de cada profissão. De uma maneira geral, todos os profissionais de saúde deverão estar dotados de competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) que possibilitem a sua interação e atuação multiprofissional, tendo como beneficiários os indivíduos e a comunidade, promovendo a saúde para todos.

A Faculdade Paraíso Araripina propõe em seus princípios e finalidades para o Curso de Medicina formar o profissional médico com “formação geral, humanista, crítica, reflexiva e ética, com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção à saúde, com ações de promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, nos âmbitos individual e coletivo, com responsabilidade social e compromisso com a defesa da cidadania, da dignidade humana, da saúde integral do ser humano e tendo como transversalidade em sua prática, sempre, a determinação social do processo de saúde e doença”, em acordo pleno com os pressupostos estabelecidos na Resolução nº 3, de 20 de junho de 2014, das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs, 2014).

Para se conseguir alcançar os princípios e finalidades da formação médica são apresentadas, a seguir, as competências no âmbito geral da formação do profissional de saúde e, em especial, do médico a ser formado pelo Curso de Medicina proposto pela Faculdade Paraíso – Araripina.

Em consonância com as DCNs 2014, e pautados pela necessária articulação entre conhecimentos, habilidades e atitudes requeridas do egresso, para o futuro exercício profissional médico, a formação geral do graduado em medicina do curso proposto pela Faculdade Paraíso – Araripina, desdobrar-se-á nas seguintes áreas:

  • Área I – Atenção à Saúde;
  • Área II – Gestão em Saúde;
  • Área III – Educação em Saúde;

Na Atenção à Saúde, o graduando será formado para sempre ter em mente as dimensões da diversidade biológica, subjetiva, étnico-racial, de gênero, orientação sexual, socioeconômica, política, ambiental, cultural, ética e demais aspectos que compõem o espectro da diversidade humana e que singulariza cada pessoa ou cada grupo social, no sentido de concretizar:

I – Acesso universal e equidade como direito à cidadania, sem privilégios nem preconceitos de qualquer espécie, tratando as desigualdades com equidade e atendendo as necessidades pessoais específicas, segundo as prioridades definidas pela vulnerabilidade e pelo risco à saúde e à vida, observado o que determina o Sistema Único de Saúde (SUS);

II – Integralidade e humanização do cuidado por meio de prática médica contínua e integrada, com as demais ações e instâncias de saúde, de modo a construir projetos terapêuticos compartilhados, estimulando o autocuidado e a autonomia das pessoas, famílias, grupos e comunidades, e reconhecendo os usuários como protagonistas ativos de sua própria saúde;

III – Qualidade na atenção à saúde, pautando seu pensamento crítico, que conduz o seu fazer, nas melhores evidências científicas, na escuta ativa e singular de cada pessoa, família, grupos e comunidades e nas políticas públicas, programas, ações estratégicas e diretrizes vigentes;

IV – Segurança na realização de processos e procedimentos, referenciados nos mais altos padrões da prática médica, de modo a evitar riscos, efeitos adversos e danos aos usuários, a si mesmo e aos profissionais do sistema de saúde, com base em reconhecimento clínico-epidemiológico, nos riscos e vulnerabilidades das pessoas e grupos sociais;

V – Preservação da biodiversidade com sustentabilidade, de modo que, no desenvolvimento da prática médica, sejam respeitadas as relações entre ser humano, ambiente, sociedade e tecnologias, e contribua para a incorporação de novos cuidados, hábitos e práticas de saúde;

VI – Ética profissional, fundamentada nos princípios da Ética e da Bioética, levando em conta que a responsabilidade da atenção à saúde não se encerra com o ato técnico;

VII – Comunicação, por meio de linguagem verbal e não verbal, com usuários, familiares, comunidades e membros das equipes profissionais, com empatia, sensibilidade e interesse, preservando a confidencialidade, a compreensão, a autonomia e a segurança da pessoa sob cuidados;

VIII – Promoção da saúde, como estratégia de produção de saúde, articulada às demais políticas e tecnologias desenvolvidas no sistema de saúde brasileiro, contribuindo para construção de ações que possibilitem responder às necessidades sociais em saúde;

IX – Cuidado centrado na pessoa sob seus cuidados, na família e na comunidade, no qual prevaleça o trabalho Interprofissional, em equipe, com o desenvolvimento de relação horizontal, compartilhada, respeitando-se as necessidades e desejos da pessoa sob cuidado, família e comunidade, a compreensão destes sobre o adoecer, a identificação de objetivos e responsabilidades comuns entre profissionais de saúde e usuários no cuidado;

X – Promoção da equidade no cuidado adequado e eficiente das pessoas com deficiência, compreendendo os diferentes modos de adoecer, nas suas especificidades.

Na Gestão em Saúde, o curso de medicina proposto pela Faculdade Paraíso – Araripina visa a formação do médico capaz de compreender os princípios, diretrizes e políticas do sistema de saúde, e participar de ações de gerenciamento e administração para promover o bem-estar da comunidade, por meio das seguintes dimensões:

I – Gestão do Cuidado, com o uso de saberes e dispositivos de todas as densidades tecnológicas, de modo a promover a organização dos sistemas integrados de saúde para a formulação e desenvolvimento de planos terapêuticos individuais e coletivos;

II -Valorização da Vida, com a abordagem dos problemas de saúde recorrentes na atenção básica, na urgência e na emergência, na promoção da saúde e na prevenção de riscos e danos, visando a melhoria dos indicadores de qualidade de vida, de morbidade e de mortalidade, por um profissional médico generalista, propositivo e resolutivo;

III -Tomada de Decisões, com base na análise crítica e contextualizada das evidências científicas, da escuta ativa das pessoas, famílias, grupos e comunidades, das políticas públicas sociais e de saúde, de modo a racionalizar e otimizar a aplicação de conhecimentos, metodologias, procedimentos, instalações, equipamentos, insumos e medicamentos, de modo a produzir melhorias no acesso e na qualidade integral à saúde da população e no desenvolvimento científico, tecnológico e inovação que retroalimentam as decisões;

IV -Comunicação, incorporando, sempre que possível, as novas tecnologias da informação e comunicação (TICs), para interação à distância e acesso a bases remotas de dados;

V -Liderança exercitada na horizontalidade das relações interpessoais que envolvam compromisso, comprometimento, responsabilidade, empatia, habilidade para tomar decisões, comunicar-se e desempenhar as ações de forma efetiva e eficaz, mediada pela interação, participação e diálogo, tendo em vista o bem-estar da comunidade;

VI -Trabalho em Equipe, de modo a desenvolver parcerias e constituição de redes, estimulando e ampliando a aproximação entre instituições, serviços e outros setores envolvidos na atenção integral e promoção da saúde;

VII -Construção participativa do sistema de saúde, de modo a compreender o papel dos cidadãos, gestores, trabalhadores e instâncias do controle social na elaboração da política de saúde brasileira;

VIII -Participação social e articulada nos campos de ensino e aprendizagem das redes de atenção à saúde, colaborando para promover a integração de ações e serviços de saúde, provendo atenção contínua, integral, de qualidade, boa prática clínica e responsável, incrementando o sistema de acesso, com equidade, efetividade e eficiência, pautando-se em princípios humanísticos, éticos, sanitários e da economia na saúde.

Na Educação em Saúde, o graduando em medicina da Faculdade Paraíso – Araripina deverá ser corresponsável pela própria formação, continuada e em serviço, e pela sua autonomia intelectual e responsabilidade social, ao tempo em que se compromete com a formação das futuras gerações de profissionais de saúde, e ao estímulo à mobilidade acadêmica e profissional, tendo por objetivos:

I -Aprender a aprender, como parte do processo de ensino aprendizagem, identificando conhecimentos prévios, desenvolvendo a curiosidade e formulando questões para a busca de respostas cientificamente consolidadas, construindo sentidos para a identidade profissional e avaliando, criticamente, as informações obtidas, preservando a privacidade das fontes;

II -Aprender com autonomia e com a percepção da necessidade da educação continuada, a partir da mediação dos professores e profissionais do SUS, desde o primeiro ano do curso;

III -Aprender inter-profissionalmente, com base na reflexão sobre a própria prática e pela troca de saberes com profissionais da área da saúde e outras áreas do conhecimento, para a orientação da identificação e discussão dos problemas, estimulando o aprimoramento da colaboração e da qualidade da atenção à saúde;

IV -Aprender em situações e ambientes protegidos e controlados, ou em simulações da realidade, identificando e avaliando o erro, como insumo da aprendizagem profissional e organizacional e como suporte pedagógico;

V -Comprometer-se com seu processo de formação, envolvendo-se em ensino, pesquisa e extensão e observando o dinamismo das mudanças sociais e científicas que afetam o cuidado e a formação dos profissionais de saúde, a partir dos processos de autoavaliação e de avaliação externa dos agentes e da instituição, promovendo o conhecimento sobre as escolas médicas e sobre seus egressos;

VI -Participação de programas de Mobilidade Acadêmica e Formação de Redes Estudantis ofertados a estudantes, professores e profissionais da saúde, com ampliação das oportunidades de aprendizagem, pesquisa e trabalho, que viabilizarão a identificação de novos desafios da área, que estabelecerão compromissos de corresponsabilidade com o cuidado, com a vida das pessoas, famílias, grupos e comunidades, especialmente nas situações de emergência em saúde pública, nos âmbitos nacional e internacional;

VII -Dominar língua estrangeira, de preferência uma língua franca, para manter-se atualizado com os avanços da medicina conquistados no País e fora dele, bem como para interagir com outras equipes de profissionais da saúde em outras partes do mundo e divulgar as conquistas científicas alcançadas no Brasil;

No âmbito mais específico da formação profissional e baseado nas DCNs (2014), o curso de medicina proposto pela Faculdade Paraíso Araripina estabelece como prioridade as seguintes capacidades e desempenhos a serem desenvolvidos durante o processo de formação na graduação :

 

No âmbito da Atenção às Necessidades Individuais de Saúdeo graduando deverá desenvolver como ação-chave a Identificação de Necessidades de Saúde, que comporta os seguintes desempenhos e seus respectivos descritores:

I – Realização da História Clínica, na qualestabelece relação profissional ética no contato com as pessoas sob seus cuidados, familiares ou responsáveis;identifica situações de emergência, desde o início do contato, atuando de modo a preservar a saúde e a integridade física e mental das pessoas sob cuidado;orienta o atendimento às necessidades de saúde, sendo capaz de combinar o conhecimento clínico e as evidências científicas, com o entendimento sobre a doença, na perspectiva da singularidade de cada pessoa;utiliza-se de linguagem compreensível no processo terapêutico, estimulando o relato espontâneo da pessoa sob cuidados, tendo em conta os aspectos psicológicos, culturais e contextuais, sua história de vida, o ambiente em que vive e suas relações sócio-familiares, assegurando a privacidade e o conforto;favorece a construção de vínculo, valorizando as preocupações, expectativas, crenças e os valores relacionados aos problemas relatados trazidos pela pessoa sob seus cuidados e responsáveis, possibilitando que ela analise sua própria situação de saúde, o que permite gerar autonomia no cuidado;identifica os motivos ou queixas, evitando julgamentos, e considerando o contexto de vida e dos elementos biológicos, psicológicos, socioeconômicos e a investigação de práticas culturais de cura em saúde, de matriz afro-indígena-brasileira e de outras relacionadas ao processo saúde-doença;orienta e organiza a anamnese, utilizando o raciocínio clínico-epidemiológico, a técnica semiológica e o conhecimento das evidências científicas;investiga os sinais e sintomas e as repercussões da situação, hábitos, fatores de risco, exposição às iniquidades econômicas, sociais e de saúde, condições correlatas, antecedentes pessoais e familiares; eregistra os dados relevantes da anamnese no prontuário de forma clara e legível;

II – Realização do Exame Físico: no qual esclarece sobre os procedimentos, manobras ou técnicas do exame físico ou exames diagnósticos, obtendo consentimento da pessoa sob seus cuidados ou do responsável; cuida ao máximo com a segurança, privacidade e conforto da pessoa sob seus cuidados; tem postura ética, respeitosa e destreza técnica na inspeção, percussão, apalpação e ausculta, com precisão na aplicação das manobras e procedimentos do exame físico geral e específico, considerando a história clínica, a diversidade étnico-racial, de gênero, de orientação sexual, linguístico-cultural e de pessoas com deficiência; e esclarece, à pessoa sob seus cuidados ou ao seu responsável, sobre os sinais verificados, registrando as informações no prontuário, de modo legível;

III – Formulação de Hipóteses e Priorização de Problemas, na qual estabelece as hipóteses diagnósticas mais prováveis, relacionando os dados da história e exames clínicos; formula o prognóstico dos problemas da pessoa sob seus cuidados, considerando os contextos pessoal, familiar, do trabalho, epidemiológico, ambiental e outros pertinentes; informa e esclarece as hipóteses estabelecidas, de forma ética e humanizada, considerando as eventuais dúvidas e questionamentos da pessoa sob seus cuidados, dos familiares ou responsáveis; estabelece oportunidades na comunicação para mediar conflito e conciliar possíveis visões divergentes entre profissionais de saúde, da pessoa sob seus cuidados, familiares ou responsáveis; e compartilha o processo terapêutico, com negociação do tratamento, com a possível inclusão de práticas populares de saúde, que podem ter sido testadas ou que não causem dano;

IV -Promoção de Investigação Diagnóstica, na qual propõe e explica, à pessoa sob cuidado ou responsável, sobre a investigação diagnóstica para ampliar, confirmar ou afastar hipóteses diagnósticas, incluindo as indicações de realização de aconselhamento genético; solicita exames complementares, com base nas melhores evidências científicas, conforme as necessidades da pessoa sob seus cuidados, avaliando sua possibilidade de acesso aos testes necessários; avalia, de forma singularizada, as condições de segurança da pessoa sob seus cuidados, considerando-se eficiência, eficácia e efetividade dos exames; interpreta os resultados dos exames realizados, considerando as hipóteses diagnósticas, a condição clínica e o contexto da pessoa sob seus cuidados; e registra e atualiza, no prontuário, a investigação diagnóstica, de forma clara e objetiva;

Ainda no âmbito da Atenção às Necessidades Individuais de Saúdeo graduando deverá desenvolver como outra ação-chave o Desenvolvimento e Avaliação de Planos Terapêuticos que comporta os seguintes desempenhos e seus respectivos descritores:

I – Elaboração e Implementação de Planos Terapêuticos, na qual estabelece, a partir do raciocínio clínico-epidemiológico, os contextos específicos e planos terapêuticos, contemplando as dimensões de promoção, prevenção, tratamento e reabilitação; discute o plano terapêutico, suas implicações e o prognóstico, segundo as melhores evidências científicas, as práticas culturais de cuidado e cura da pessoa sob seus cuidados, e as necessidades individuais e coletivas; promove o diálogo entre as necessidades referidas pela pessoa sob seus cuidados ou responsável, e as necessidades percebidas pelos profissionais de saúde, estimulando a pessoa sob seus cuidados a refletir sobre seus problemas e a promover o autocuidado; estabelece pacto sobre as ações de cuidado, promovendo a participação de outros profissionais, sempre que necessário; implementa as ações pactuadas e disponibiliza as prescrições e orientações legíveis, estabelecendo e negociando o acompanhamento ou encaminhamento da pessoa sob seus cuidados com justificativa; informa sobre situações de notificação compulsória aos setores responsáveis; considera a relação custo-efetividade das intervenções realizadas, explicando-as às pessoas sob cuidado e familiares, tendo em vista as escolhas possíveis; atua com autonomia e competência nas situações de emergência mais prevalentes de ameaça à vida; e exercita a cidadania de forma competente em defesa da vida e dos direitos das pessoas;

II -Acompanhamento e Avaliação de Planos Terapêuticos, no qual acompanha e avalia a efetividade das intervenções realizadas e considera a avaliação da pessoa sob seus cuidados ou do responsável em relação aos resultados obtidos, analisando dificuldades e valorizando conquistas; favorece o envolvimento da equipe de saúde na análise das estratégias de cuidado e resultados obtidos; revisa o diagnóstico e o plano terapêutico, sempre que necessário; explica e orienta sobre os encaminhamentos ou a alta, verificando a compreensão da pessoa sob seus cuidados ou responsável; e registra o acompanhamento e a avaliação do plano no prontuário, buscando torná-lo um instrumento orientador do cuidado integral da pessoa sob seus cuidados.

No âmbito da Atenção às Necessidades de SaúdeColetivao graduando deverá desenvolver como ação-chave a Investigação de Problemas de Saúde Coletiva que comporta o desempenho de Análise das Necessidades de Saúde de Grupos de Pessoas e as Condições de Vida e de Saúde de Comunidades.

A partir de dados demográficos, epidemiológicos, sanitários e ambientais, o graduando considera as dimensões de risco, vulnerabilidade, incidência e prevalência das condições de saúde, com os seguintes descritores: acessa e utiliza dados secundários ou informações que incluam o contexto político, cultural, socioeconômico e ambiental, bem como as discriminações institucionais e as relações, movimentos e valores de populações, em seu território, visando a ampliar a explicação de causas, efeitos, com bases na determinação social do processo saúde-doença e no seu enfrentamento; relaciona os dados e as informações obtidas, articulando os aspectos biológicos, psicológicos, socioeconômicos e culturais ao adoecimento e à vulnerabilidade de grupos; e estabelece o diagnóstico de saúde, priorizando os problemas e considerando sua magnitude, existência de recursos para o seu enfrentamento e a importância técnica, cultural e política do contexto;

Quanto à ação-chave Desenvolvimento e Avaliação de Projetos de Intervenção Coletiva ela comporta os seguintes descritores de desempenho, onde o graduando: participa da discussão e construção de projetos de intervenção em grupos sociais, orientando-se para melhoria dos indicadores de saúde, considerando sempre sua autonomia e aspectos culturais; estimula a inserção de ações de promoção e educação em saúde em todos os níveis de atenção, com ênfase na atenção básica, voltadas às ações de cuidado com o corpo e a saúde; estimula a inclusão da perspectiva de outros profissionais e representantes de segmentos sociais envolvidos na elaboração dos projetos em saúde; promove o desenvolvimento de planos orientados para os problemas priorizados; participa da implementação de ações, considerando metas, prazos, responsabilidades, orçamento e factibilidade; e participa no planejamento e avaliação dos projetos e ações no âmbito do SUS, prestando contas e promovendo ajustes, orientados à melhoria da saúde coletiva.

No âmbito da área de competência da Gestão em Saúde a formação do graduando deve contemplar duas ações-chave: a Organização do Trabalho em Saúde; e o Acompanhamento e Avaliação do Trabalho em Saúde.

A ação-chave Organização do Trabalho em Saúde comporta os seguintes desempenhos e seus respectivos descritores:

I -Identificação do Processo de Trabalho, no qual identifica a história da saúde, as políticas públicas de saúde no Brasil, a Reforma Sanitária, os princípios do SUS e os desafios na organização do trabalho em saúde, considerando seus princípios, diretrizes e políticas de saúde; identifica oportunidades e desafios na organização do trabalho nas redes de serviços de saúde, reconhecendo o conceito ampliado de saúde, no qual todos os cenários em que se produz saúde são ambientes relevantes e neles se deve assumir e propiciar compromissos com a qualidade, integralidade e continuidade da atenção; utiliza as diversas fontes para identificar problemas no processo de trabalho, incluindo a perspectiva dos profissionais e dos usuários e a análise de indicadores e do modelo de gestão, de modo a identificar risco e vulnerabilidade de pessoas, famílias e grupos sociais; inclui a perspectiva dos usuários, família e comunidade, favorecendo sua maior autonomia na decisão do plano terapêutico, respeitando seu processo de planejamento e de decisão considerando-se, ainda, os seus valores e crenças; promove o trabalho colaborativo em equipes de saúde, respeitando normas institucionais dos ambientes de trabalho e agindo com compromisso ético-profissional, superando a fragmentação do processo de trabalho em saúde; participa na priorização de problemas, identificando a relevância, magnitude e urgência, as implicações imediatas e potenciais, a estrutura e os recursos disponíveis; e propicia abertura para opiniões diferentes e respeito à diversidade de valores, de papéis e de responsabilidades no cuidado à saúde.

II -Elaboração e Implementação de Planos de Intervenção, na qual participa em conjunto com usuários, movimentos sociais, profissionais de saúde, gestores do setor sanitário e de outros setores na elaboração de planos de intervenção para o enfrentamento dos problemas priorizados, visando a melhorar a organização do processo de trabalho e da atenção à saúde; apoia a criatividade e a inovação, na construção de planos de intervenção; participa na implementação das ações, favorecendo a tomada de decisão, baseada em evidências científicas, na eficiência, na eficácia e na efetividade do trabalho em saúde; e participa na negociação e avaliação de metas para os planos de intervenção, considerando as políticas de saúde vigentes, os colegiados de gestão e de controle social.

 

A ação-chave Acompanhamento e Avaliação do Trabalho em Saúde comporta os seguintes desempenhos e seus respectivos descritores:

I -Gerenciamento do Cuidado em Saúde no qual o aluno promove a integralidade da atenção à saúde individual e coletiva, articulando as ações de cuidado, no contexto dos serviços próprios e conveniados ao SUS; utiliza as melhores evidências e os protocolos e diretrizes cientificamente reconhecidas, para promover o máximo benefício à saúde das pessoas e coletivos, segundo padrões de qualidade e de segurança; e favorece a articulação de ações, profissionais e serviços, apoiando a implantação de dispositivos e ferramentas que promovam a organização de sistemas integrados de saúde.

II -Monitoramento de Planos e Avaliação do Trabalho em Saúde, no qual participa em espaços formais de reflexão coletiva sobre o processo de trabalho em saúde e sobre os planos de intervenção; monitora a realização de planos, identificando conquistas e dificuldades; avalia o trabalho em saúde, utilizando indicadores e relatórios de produção, ouvidoria, auditorias e processos de acreditação e certificação; utiliza os resultados da avaliação para promover ajustes e novas ações, mantendo os planos permanentemente atualizados e o trabalho em saúde em constante aprimoramento; formula e recebe críticas, de modo respeitoso, valorizando o esforço de cada um e favorecendo a construção de um ambiente solidário de trabalho; e estimula o compromisso de todos com a transformação das práticas e da cultura organizacional, no sentido da defesa da cidadania e do direito à saúde.

A área de competência de Educação em Saúde deverá contemplar três ações-chave no processo de formação: a Identificação de Necessidades de Aprendizagem Individual e Coletiva; a Promoção da Construção e Socialização do Conhecimento; e a Promoção do Pensamento Científico e Crítico e Apoio à Produção de Novos Conhecimentos.

 

A ação-chave Identificação de Necessidades de Aprendizagem Individual e Coletiva comporta os seguintes desempenhos: estimula a curiosidade do aluno e o desenvolvimento da capacidade de aprender com todos os envolvidos, em todos os momentos do trabalho em saúde; e identifica as necessidades de aprendizagem próprias, das pessoas sob seus cuidados e responsáveis, dos cuidadores, dos familiares, da equipe multiprofissional de trabalho, de grupos sociais ou da comunidade, a partir de uma situação significativa, respeitados o conhecimento prévio e o contexto sociocultural de cada um.

A ação-chave Promoção da Construção e Socialização do Conhecimento comporta os seguintes desempenhos: o graduando apresenta-se com postura aberta à transformação do conhecimento e da própria prática; escolhe estratégias interativas para a construção e socialização de conhecimentos, segundo as necessidades de aprendizagem identificadas, considerando idade, escolaridade e inserção sociocultural das pessoas; orienta e compartilha os conhecimentos com pessoas sob seus cuidados, responsáveis, familiares, grupos e outros profissionais, levando em conta o interesse de cada segmento, no sentido de construir novos significados para o cuidado à saúde; e estimula a construção coletiva de conhecimento em todas as oportunidades do processo de trabalho, propiciando espaços formais de educação continuada, participando da formação de futuros profissionais.

A ação-chave Promoção do Pensamento Científico e Crítico e Apoio à Produção de Novos Conhecimentos comporta os seguintes desempenhos:  o graduando utiliza os desafios do trabalho para estimular e aplicar o raciocínio científico, formulando perguntas e hipóteses e buscando dados e informações; analisa criticamente as fontes, métodos e resultados, no sentido de avaliar evidências e práticas no cuidado, na gestão do trabalho e na educação de profissionais de saúde, pessoa sob seus cuidados, famílias e responsáveis; identifica a necessidade de produção de novos conhecimentos em saúde, a partir do diálogo entre a própria prática, a produção científica e o desenvolvimento tecnológico disponíveis; e favorece o desenvolvimento científico e tecnológico voltado para a atenção das necessidades de saúde individuais e coletivas, por meio da disseminação das melhores práticas e do apoio à realização de pesquisas de interesse da sociedade.

 

A formação de um profissional médico crítico reflexivo

Para Sandars (2009, p. 1) refletir é um processo de metacognição que ocorre antes, durante e depois da vivência de situações, orientado para o desenvolvimento de uma compreensão profunda tanto sobre o profissional e a situação, ou seja, proporciona ao estudante importantes mudanças que ampara o profissional para lidar o seu trabalho no futuro.

Embora seja sabido que as reflexões dependem do significado para o estudante, o Curso de Medicina da Faculdade Paraíso – Araripina prevê feedback sobre os processos de ensino aprendizagem pelos docentes envolvidos nas Atividades Curriculares : Tutoria, Habilidades, IESC, Internato, orientados para o desenvolvimento de planos de melhoria individualizados.

O instrumento privilegiado para o feedback é o portfólio*, uma vez que este tem como funções: ser um registro da aprendizagem, ser fonte de informação e evidências para a avaliação formativa do processo de ensino aprendizagem, ou seja, sua orientação é no sentido de promover a elaboração de planos de melhoria a partir das dificuldades encontradas, ou seja, para potencializar o desenvolvimento do estudante e estimular a capacidade critica reflexiva (Van Tartwijk, Jan e Driessen, 2009).

Além disso, as reflexões podem ser estimuladas em grupos, por meio do processamento de narrativas orientadas para o relato da situação vivida.

Nesse sentido, cabe destacar que as situações que proporcionam reflexões profundas envolvem um maior grau de complexidade para o estudante, durante todo curso, ou seja, tendem a ser mais estimuladas pelas situações vivenciadas em cenários de aprendizagem situados nos serviços de saúde, ou seja, nos espaços onde a prática se intensifica. Com relação ao tempo disponível para a elaboração de narrativas reflexivas pelo estudante, o curso conta com 14 a 16 horas destinadas à aprendizagem autodirigida.

A reflexão crítica do estudante adquire mais potência mediante o feedback dialógico nos espaços de discussão destinados para essa atividade no Curso, apresentados na tabela abaixo:

TABELA: REFLEXÃO X  FEEDBACK

Disparador da Reflexão** Cenário de Aprendizagem Docentes Responsáveis pelo feedback Período
Narrativas Cenários de Prática Docentes Supervisores de Estágio

Docentes Preceptores

Ao longo do Curso
Situações Problema Tutorias Docentes Tutores 1ª a 8ª Etapas/Semestre
Casos Clínicos Cenários de Prática- Internato Docentes Preceptores

Docentes Supervisores de Estágio

 

9ª a 12ª Etapas/Semestre
Narrativas Habilidades Médicas Docentes das Habilidades 1ª a 8ª Etapas/Semestre
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